A segurança online de crianças e adolescentes sempre foi uma preocupação crescente em nossa sociedade, especialmente considerando o avanço da tecnologia e o fácil acesso à internet. Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4306/20, que visa proteger crianças e adolescentes contra conteúdos prejudiciais e danos psicológicos na web. Essa nova legislação, que agora segue para o Senado, promete transformar a maneira como lidamos com a exposição de jovens na internet e garante mais segurança para essa faixa etária vulnerável.
O Projeto de Lei tem um foco claro: assegurar que os responsáveis legais de menores de idade possam solicitar a remoção de conteúdo prejudicial à imagem, integridade física e psicológica dos mesmos. A proposta foi elaborada pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA) e busca combater o impacto negativo de conteúdos de violência, discriminação ou qualquer outro tipo de constrangimento. A medida permite que pais ou responsáveis solicitem a exclusão de links e conteúdos relacionados a essas situações, evitando que o jovem seja ainda mais exposto ao sofrimento.
Um dos aspectos mais relevantes dessa proposta é a definição clara de quais tipos de conteúdo podem ser removidos. De acordo com a lei, qualquer material que envolva violência contra a criança ou adolescente, seja como vítima, testemunha ou participante, poderá ser alvo de remoção. Isso inclui fotos, vídeos ou textos que possam gerar situações vexatórias ou prejudiciais à saúde mental dos menores. Assim, a legislação busca promover um ambiente mais seguro, onde o sofrimento dos jovens não seja perpetuado online.
Outro ponto de grande importância é a criminalização da divulgação de dados privados de menores, como documentos, nomes e imagens de crianças ou adolescentes envolvidos em casos de violência. Com a aprovação do projeto, a pena prevista para quem divulgar essas informações será de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa. Essa medida visa proteger a privacidade e dignidade dos menores, evitando que suas identidades sejam utilizadas para fins de exploração ou exposição pública sem consentimento.
A proposta também destaca a relevância de garantir que a remoção do conteúdo seja feita de maneira ágil e eficiente. Para tanto, o pedido de exclusão de conteúdo deverá ser feito diretamente ao provedor de serviços da internet, com a especificação do material considerado prejudicial. Esse mecanismo prático e direto facilita a aplicação da lei, permitindo que os responsáveis legais tenham um controle maior sobre o que é compartilhado e disseminado nas plataformas online.
Apesar do apoio generalizado à proposta, alguns parlamentares levantaram preocupações sobre a falta de clareza em certos pontos da lei, o que poderia abrir margem para interpretações subjetivas e possíveis abusos. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) fez um alerta sobre esses aspectos, sugerindo que mais detalhes precisariam ser ajustados para garantir a eficácia do projeto. No entanto, o deputado Rodrigo de Castro (União-MG) defendeu a clareza da proposta, afirmando que as “subjetividades” foram eliminadas do texto, assegurando a proteção sem gerar brechas para interpretações equivocadas.
Se aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente da República, a nova legislação entrará em vigor em 180 dias após sua publicação, proporcionando uma mudança significativa na forma como lidamos com a segurança das crianças e adolescentes na internet. Isso representa um avanço importante, não apenas no campo legal, mas também no fortalecimento das políticas públicas de proteção digital e da conscientização da sociedade sobre a responsabilidade de todos em garantir a segurança dos menores no ambiente online.
O Projeto de Lei 4306/20 é um reflexo do reconhecimento da necessidade de adaptação das leis às novas realidades digitais, especialmente no que diz respeito à proteção de menores em um mundo cada vez mais conectado. A aprovação da medida é uma vitória para as famílias e para as organizações que lutam pela proteção das crianças e adolescentes na internet. Com a implementação desta lei, espera-se um futuro mais seguro para os jovens na web, onde seus direitos e dignidade sejam preservados em um ambiente digital cada vez mais complexo e desafiador.
Autor: Aleksander Araújo
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital