Conforme explica Alexandre Costa Pedrosa, a relação entre nutrição e neurodesenvolvimento tem ganhado destaque nas pesquisas recentes, especialmente no que tange a como a alimentação pode influenciar na qualidade de vida de pessoas autistas. A intervenção dietética deve ser tratada como um complemento terapêutico valioso, uma vez que o sistema gastrointestinal e o cérebro mantêm uma comunicação bidirecional constante.
Muitas pessoas no espectro apresentam desafios específicos, como a seletividade alimentar extrema ou sensibilidades a determinados componentes, o que torna o planejamento nutricional uma peça-chave para a regulação do comportamento e do humor. Este artigo discute as evidências sobre o eixo intestino-cérebro, as estratégias para lidar com a seletividade e como uma dieta equilibrada potencializa os ganhos das terapias convencionais. Prossiga com a leitura para entender como as escolhas à mesa refletem na saúde integral.
Qual é a conexão entre o sistema digestivo e o cérebro no TEA?
Estudos científicos contemporâneos indicam que uma parcela significativa de indivíduos autistas sofre com desordens gastrointestinais, que podem exacerbar sintomas comportamentais. De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, a inflamação intestinal ou o desequilíbrio da microbiota podem resultar em desconfortos físicos que a pessoa usuária, muitas vezes com dificuldades de comunicação, expressa por meio de irritabilidade, insônia ou falta de concentração. Tratar o intestino não é apenas uma questão de digestão, mas uma forma de reduzir a carga de estresse biológico sobre o sistema nervoso central.
A absorção deficiente de nutrientes essenciais, como vitaminas do complexo B, magnésio e ômega-3, também desempenha um papel crítico na função cognitiva. Quando o organismo não recebe os substratos necessários para a produção de neurotransmissores como a serotonina, a regulação emocional fica comprometida. Dessa forma, a ciência nutricional aplicada ao espectro busca equilibrar o ecossistema interno, garantindo que o cérebro tenha os recursos químicos ideais para processar informações e interagir com o ambiente de forma mais estável.
Como manejar a seletividade alimentar de forma humanizada?
A seletividade alimentar é um dos desafios mais comuns no cotidiano das famílias, caracterizando-se pela recusa em provar novos alimentos ou pela preferência restrita por cores, texturas e marcas. Como reforça Alexandre Costa Pedrosa, esse comportamento geralmente não é uma “birra”, mas uma resposta a dificuldades sensoriais reais, onde o cheiro ou a textura de um alimento podem ser percebidos como agressivos. O manejo deve ser gradual e respeitoso, evitando forçar a ingestão, o que poderia gerar traumas e aumentar a aversão. Para auxiliar nesse processo de expansão do repertório alimentar, estratégias de terapia ocupacional integradas à nutrição apresentam excelentes resultados. Antes de introduzir novos itens, é fundamental criar um ambiente previsível e livre de pressões durante as refeições.

Qual é o papel da suplementação no suporte nutricional?
Em casos em que a restrição alimentar é severa e impede a obtenção de níveis adequados de micronutrientes, a suplementação pode ser necessária sob supervisão profissional. Nesse sentido, Alexandre Costa Pedrosa reforça que a reposição de substâncias deve ser feita de forma personalizada, baseada em exames laboratoriais que identifiquem carências específicas. Suplementos como probióticos têm sido amplamente estudados pelo seu potencial em restaurar a flora intestinal e, consequentemente, auxiliar na clareza mental e na redução da ansiedade.
A suplementação nunca deve substituir a comida de verdade, mas atuar como uma rede de segurança enquanto as terapias de dessensibilização alimentar avançam. O acompanhamento por um nutricionista especializado em neurodesenvolvimento garante que as doses sejam seguras e eficazes. Ao equilibrar a química interna, as respostas às intervenções psicopedagógicas tendem a ser mais rápidas e sólidas, consolidando o bem-estar de longo prazo.
A nutrição não é uma solução isolada, mas um alicerce que sustenta todas as outras áreas do desenvolvimento
Como conclui Alexandre Costa Pedrosa, compreender como a alimentação pode influenciar na qualidade de vida de pessoas autistas é um passo fundamental para uma abordagem terapêutica verdadeiramente integral. Ao respeitarmos os limites sensoriais enquanto buscamos o equilíbrio biológico, proporcionamos à pessoa autista as condições ideais para que ela possa expressar sua essência com saúde e dignidade. A jornada alimentar no espectro exige paciência e ciência, mas os benefícios colhidos na disposição, no sono e na regulação emocional justificam cada etapa do processo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez