Uso de ferramentas de inteligência artificial na produção de conteúdo cresce, enquanto influenciadoras 100% virtuais começam a disputar espaço com criadores humanos.
O uso de inteligência artificial na produção de conteúdo deixou de ser exceção entre criadores brasileiros e se tornou prática comum. Segundo relatório da HypeAuditor, referência global em análise de campanhas de influência, citado pelo portal Varejo S.A, 83% dos influenciadores do Instagram já utilizaram ferramentas de IA para criar conteúdo neste ano, com projeção de que esse índice se aproxime de 100% em breve (cndl.org.br). O dado mostra que a tecnologia já integra o fluxo de trabalho da maior parte dos criadores de conteúdo do país, seja na edição de vídeos, seja na geração de imagens e roteiros.
Apesar da adoção em massa, o mesmo levantamento aponta que o público continua valorizando aquilo que apenas humanos conseguem entregar: autenticidade, sensibilidade e capacidade de contar histórias com elementos emocionais reais. Essa constatação ajuda a explicar por que, mesmo com IA presente em quase toda a produção de conteúdo, criadores humanos seguem sendo maioria absoluta no mercado de influência brasileiro.
Influenciadores virtuais entram na disputa por audiência
Enquanto a maioria dos criadores usa IA como ferramenta de apoio à produção, uma nova categoria de influenciador começou a ganhar espaço próprio: perfis criados inteiramente por inteligência artificial. Um exemplo citado pela Dry Telecom é o de uma influenciadora virtual especializada em tecnologia, que conquistou audiência no Brasil com análises de gadgets, tutoriais de programação e debates sobre o futuro da IA (drytelecom.com.br). Segundo a reportagem, esse tipo de perfil utiliza avatares hiper-realistas capazes de interagir em tempo real com seguidores em múltiplos idiomas, o que amplia o alcance potencial desse formato de criador.
Esse fenômeno levanta questões que ainda não têm resposta consolidada no mercado brasileiro, como a forma correta de identificar publicamente que um perfil é gerado por inteligência artificial e não por uma pessoa real, e como isso se relaciona com as regras de transparência publicitária já exigidas para influenciadores humanos. À medida que esses perfis ganham seguidores e passam a fechar parcerias comerciais, a tendência é que reguladores e conselhos de autorregulamentação publicitária precisem endereçar esse novo formato de forma mais específica.
O que muda na relação entre marcas e criadores
A presença cada vez maior de IA na produção de conteúdo também reconfigura a forma como marcas avaliam parcerias com influenciadores. Relatório da HypeAuditor sobre o panorama do marketing de influência no Brasil, baseado em análise de mais de 11 milhões de contas, reforça que o mercado passou a depender de dados reais de performance, como taxas de engajamento por plataforma e histórico de campanhas, para escolher parceiros de forma mais estratégica, em vez de decisões baseadas apenas em popularidade momentânea (hypeauditor.com).
Essa combinação entre inteligência artificial na produção e análise de dados na escolha de parceiros tende a acelerar ainda mais a profissionalização do setor nos próximos meses. Criadores que conseguirem equilibrar o uso de ferramentas tecnológicas com autenticidade e conexão real com o público devem levar vantagem competitiva em um mercado cada vez mais concorrido, enquanto marcas ganham acesso a informações mais precisas para direcionar seus investimentos publicitários.
O avanço da inteligência artificial no mercado de influência brasileiro mostra um setor em transformação acelerada, no qual tecnologia e autenticidade humana precisam conviver de forma equilibrada. Para criadores e marcas que atuam nesse ecossistema, acompanhar de perto essas mudanças tecnológicas deixou de ser opcional e passou a ser condição para manter relevância em um mercado que se reinventa a cada novo lançamento de ferramenta de IA.