Para quem produz espetáculos na região, como o empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, conhecido como Fredy Restrito, fundador da Eventos Litoral, a alta temporada carrega uma contradição. O público nunca está tão perto, e o evento nunca está tão exposto a falhar.
A cidade que recebe o show não é a mesma de março. Ruas, hotéis, fornecedores e serviços públicos operam no limite, e a estrutura montada na areia enfrenta condições que uma casa de shows não conhece. Grande parte dos tropeços em eventos no litoral paulista nasce de um único erro de origem: planejar como se fosse a capital, só que com mar ao fundo. Nas próximas linhas, você vai descobrir onde esse erro costuma aparecer.
Tratar a temporada como público garantido
Gente na praia não é sinônimo de ingresso vendido. Segundo levantamento do Santa Portal com as prefeituras da região, Santos recebeu cerca de 3,7 milhões de turistas no último verão, alta de 10,8% sobre o ano anterior. Esse mesmo público, porém, é disputado por dezenas de atrações gratuitas, bares, passeios e programações municipais. O visitante de temporada também costuma decidir o que fazer na véspera, às vezes no próprio dia, o que torna a venda antecipada mais difícil do que nos grandes centros.
Além disso, a demanda concentrada encarece tudo o que o evento precisa contratar: hospedagem da equipe, transporte de equipamento, segurança e alimentação. A Eventos Litoral, empresa criada por Fredy Restrito para trabalhar com shows, experiências e grandes públicos, opera exatamente nesse cenário, em que a data escolhida pesa tanto quanto a atração anunciada.
Esquecer o que o vento e a maresia cobram
Imagine um palco montado a poucos metros da faixa de areia, com sistema de som, painéis de LED e geradores. Ao meio-dia, o sol aquece a estrutura. No fim da tarde, o vento muda de direção e leva o som para longe da plateia. À noite, a umidade salina se deposita sobre cabos e conectores.
Nada disso aparece no projeto de um evento em ambiente fechado. Fredy Restrito explica que, no litoral, o cálculo de ancoragem das estruturas, a proteção dos equipamentos elétricos e o plano para chuva de verão fazem parte da produção desde o primeiro desenho. Quem descobre essas variáveis na véspera costuma pagar por elas em atraso, equipamento danificado ou programação cortada.
Deixar a licença para a última semana
Eventos temporários no estado de São Paulo precisam de liberação do Corpo de Bombeiros, com projeto de segurança assinado por profissional habilitado, brigada de incêndio, sinalização e rotas de saída dimensionadas para o público esperado. Em áreas públicas, como orla e praças, entram ainda autorizações da prefeitura e, conforme o caso, de outros órgãos. A vistoria costuma acontecer com a estrutura já montada, o que aperta o calendário de quem deixou tudo para o fim.
O erro está em tratar essas etapas como formalidade de fim de processo. Elas definem quantas pessoas cabem no espaço, onde ficam palco e saídas e, portanto, quanto o evento pode faturar. Credibilidade é um dos valores que Fredy da Silva Gonçalves Bento associa à própria trajetória, e, em eventos, ela se mede de forma bem concreta: no público que entra e sai em segurança.
O que fica na cidade depois que o palco desce
Um grande evento bem planejado movimenta mais do que a bilheteria. Ele contrata montadores, seguranças, técnicos de som, equipes de limpeza e ambulantes credenciados, ocupa quartos de hotel e enche restaurantes em dias que, sem ele, seriam comuns. Praia Grande, por exemplo, informou ter recebido cerca de 9 milhões de visitantes na última temporada, e cada grande evento ajuda a distribuir esse movimento por toda a cadeia de serviços.
Por isso, o planejamento cuidadoso não é apenas proteção contra prejuízo. Fredy Restrito, em última análise, sustenta que isso é o que permite à região transformar o pico da temporada em renda distribuída, empregos temporários e vitrine para novos públicos. Quando o evento respeita as particularidades do litoral, a cidade deixa de apenas receber visitantes e passa a ter motivos para que eles voltem.