País soma 4,4 milhões de influenciadores só no Instagram e mercado de influência deve movimentar mais de R$ 10 bilhões neste ano.
O Brasil consolidou uma posição de destaque no mapa mundial da economia de criadores. O país é hoje o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, com 4,4 milhões de criadores ativos apenas no Instagram, o que representa 10,2% de todos os criadores da plataforma no planeta, segundo levantamento do portal Thogt (thogt.io). Esse volume de profissionais explica por que o setor deixou de ser tratado como nicho e passou a ocupar espaço relevante na economia digital nacional.
Segundo a Associação Brasileira de Marketing Digital, citada pelo portal Nossa Audiência, o mercado de influência no Brasil deve movimentar mais de R$ 10 bilhões neste ano, com empresas de moda, beleza, tecnologia e entretenimento liderando os investimentos em parcerias com criadores (nossaaudiencia.com.br). O dado reforça uma transformação que já vinha se desenhando nos últimos anos, com influenciadores digitais assumindo posições de destaque antes reservadas quase exclusivamente a artistas e celebridades tradicionais.
Quem lidera a preferência do público brasileiro
Um levantamento do Instituto DataTrend, mencionado pelo Nossa Audiência, mostra que os nomes mais citados pelos brasileiros nas redes sociais neste ano são, em sua maioria, criadores de conteúdo que começaram a carreira na internet, e não em meios tradicionais de comunicação. Entre os destaques aparecem a youtuber e empresária Kéfera Buchmann, que construiu um império de beleza e lifestyle, e o gamer e streamer Cellbit, que ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores na Twitch.
A socióloga Carla Mendes, da USP, ouvida pelo mesmo levantamento, avalia que esse fenômeno não é passageiro. Segundo ela, as celebridades digitais construíram uma relação de proximidade com seus seguidores que as celebridades tradicionais dificilmente alcançam, o que gera maior confiança e engajamento do público. Essa proximidade ajuda a explicar por que marcas de diferentes portes têm ampliado investimentos em campanhas com criadores brasileiros, buscando aproveitar esse vínculo já construído com a audiência.
Faturamento e concentração de renda no topo do mercado
Enquanto milhões de criadores disputam espaço na base da pirâmide, uma pequena parcela do mercado concentra faturamentos bem mais expressivos. Segundo ranking publicado pelo portal Remessa Online, Virgínia Fonseca é considerada atualmente a influenciadora mais rica do Brasil, com patrimônio estimado em cerca de R$ 400 milhões, boa parte proveniente da WePink, marca de cosméticos que ganhou escala nacional, além de receitas com publicidade e outras empresas (remessaonline.com.br). A reportagem ressalta que esses valores são estimativas de mercado baseadas em faturamento de empresas e contratos publicitários, já que não existe um ranking oficial único de patrimônio entre influenciadores no país.
Outros nomes citados no levantamento incluem Whindersson Nunes, Carlinhos Maia, Bianca Andrade, Jade Picon e Felipe Neto, todos apontados como exemplos de criadores que conseguiram transformar audiência em negócios escaláveis, combinando marcas próprias, publicidade tradicional e investimentos diversos. A reportagem também menciona a existência da Lista de Top Creators Brasil, elaborada pela Forbes, que avalia não necessariamente quem acumula mais patrimônio, mas sim quem consegue transformar influência em negócio de maior impacto no país.
Esse contraste entre o topo do mercado e a base formada por milhões de criadores menores é uma característica estrutural da economia de influência brasileira. Enquanto poucos nomes atingem faturamentos na casa das centenas de milhões, a maior parte dos 4,4 milhões de criadores ativos no país busca formas de complementar renda ou construir carreira de forma gradual, muitas vezes combinando publicidade, afiliados e produtos próprios ao mesmo tempo.
O tamanho e a diversidade desse mercado ajudam a explicar por que o Brasil chama atenção internacional quando o assunto é economia de criadores. Entre nomes que faturam centenas de milhões e uma base ampla de criadores em crescimento, o país reúne características que dificilmente se repetem em outros mercados do mesmo porte, consolidando de vez a criação de conteúdo como atividade econômica relevante para a próxima década.